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Blog de resenhas e impressões sobre perfumes - importados ou nacionais, de nicho ou populares, caros e acessíveis... altamente democrático!

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    O que vou escrever agora vem da minha vivência, trabalhando em comércio exterior, quando aguardava ansiosamente a chegada dos carregamentos de perfumes da Europa ou Estados Unidos para conferência antes da entrega. Então o conhecimento aqui é muito mais empírico do que teórico, mas alguma coisa dá para “desvendar”!
    Os perfumes vêm da Europa/EUA em carregamentos aéreos, nunca marítimos, pois a fragilidade dos produtos não permite que fiquem dois, três meses em contêineres, na umidade e no manuseio sem cuidado típico dessa modalidade de transporte. São geralmente carregamentos pequenos (pagos por quilo, e não por volume), em acondicionamento térmico controlado e caixas revestidas, com dezenas de adesivos indicando: frágil/fragile/handle with care, etc...
    As caixinhas são encaixadas à perfeição, para que não balancem ou se desloquem na caixa maior durante o transporte, e quando chegam, são fotografadas e conferidas uma a uma para verificar se houve quebras ou avarias. Todas as caixas vêm embrulhadas em celofane e seladas (se comprar um perfume, e a caixa vier sem plástico e selo externo, desconfie de falsificação), para que não amassem ou sujem de poeira. De cada carregamento, uma porcentagem (de 1 a 4% do total enviado, geralmente) são os testers – dependendo do pedido do distribuidor local.
    Testers são os frascos que ficarão expostos na prateleira da loja para que os clientes provem o perfume antes da compra. Como não exigirão a mesma preocupação com a embalagem final de venda – afinal, têm apenas a função de mostruário – o acondicionamento não tem o mesmo esmero: poderão vir em caixa não lacrada, até mesmo sem identificação visual característica, ou sem a tampa (nunca sem o vaporizador). Isso porque o uso,inicialmente, é destinado ao lojista, para a complementação das vendas, para que não tenha quebras de estoque ao oferecer o perfume para o cliente conhecer e provar. 
    Essas características criaram um clima de “lenda” sobre os testers, e aqui vai uma ajudinha para diferenciar mitos e verdades:

    O tester vem em frasco e caixa diferente do perfume normal?
    O frasco é sempre o mesmo, mas como tester, deve ser identificado como tal: haverá um adesivo, uma gravação no frasco que o caracterize. Já quanto à caixa, ela é gralmente diferente da original (uma caixa simples de cartão/papelão, só com a identificação de fórmula e produto), ou mesmo sem caixa.

    O tester é mais/menos concentrado que o perfume normal? É mais forte ou mais fraco?
    Isso é mito! Não valeria a pena para o fabricante alterar a fórmula original para uma porcentagem tão pequena de produtos. O que acontece é: como os frascos geralmente ficam expostos sem tampa, sem o mesmo cuidado de armazenamento, podem ocorrer alterações na cor e no volume líquido, devido a exposição à luz, evaporação e outros fatores – dando a impressão de composição diferente.

    É proibida a venda do tester?
    A função inicial não é a venda, mas sim a exposição para facilitar a venda dos perfumes normais. Assim como um móvel, uma roupa ou um sapato de mostruário/vitrine sofre um desgaste maior pelo manuseio intenso e exposição contínua, o mesmo acontece com o tester. Caso o lojista tenha testers disponíveis, ele não está impedido de vender – mas que seja ético em avisar essa condição. Por isso o tester costuma ser um pouco mais barato.

    Minha última experiência na compra de tester, foi o Escada S – que, como tantos outros bons perfumes, foi descontinuado. Achei um ou outro no E-Bay, de 30ml, estava pensando se comprava ou não, eis que acho na Império Perfumes em Ciudad del Este, o tester de 90ml. Pechinchei, contei uma história triste... e acabei comprando com um desconto amigo! Como tenho ainda o frasco original (está lá, guardadinho, porque estava com medo de nunca mais sentir esse cheirinho querido!) faço o comparativo entre os frascos nas fotos abaixo.
    E aí? Mais alguma dúvida sobre testers??? 


    À esquerda, o tester, identificado e sem a tampinha, e à direita o frasco normal. 
    A cor do líquido e o aroma são iguais.


     A identificação está em ambos os lados (Demonstration - face frontal / Tester - face posterior)


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    Banana caramelada, spring roll, yakissoba, pato de Pequim... Hummm, um almoço tipicamente chinês, naqueles estabelecimentos duvidosos que a vigilância sanitária passa longe, e uma enigmática vovozinha atende no balcão, sem falar seu idioma, mas entendendo tudo. Calor, cor e sabor - esse é o Chinatown.
    Ele é cremoso, saboroso, denso e complexo. De uma criatividade fora do comum, onde o doce vira agridoce e depois apimentado. Há quem reclame do preço, mas acho que vale, porque ele dura muito, projeta, fica na roupa e em todo lugar.
    Abre em flor de pessegueiro, sumo de tangerina e flor de laranjeira, que dá uma sensação inusitada - realmente agridoce. No coração, muita tuberosa e oriza, naquela forma quente e úmida, que a baunilha deixa melada, grudenta, como calda de lamber os dedos. Depois de 9, 10 horas (isso mesmo, duração absurda) fica um amadeirado complexo e especiado, como aqueles móveis repletos de gavetinhas, que guardam mil especiarias, chás e temperos. Ainda que discordem, eu o considero oriental gourmand, porque tem sabor, textura. E compartilhável? Bem... vai depender do desprendimento dos moços aventureiros, talvez um pH neutro para ácido o aceite bem, e deixe menos 'floral' - mas como julgar uma experiência sensorial? 
    Projeção potente e duração longa - pasme: 12 horas sem perder a pose!





    www.bondno9.com

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    Dia desses viajei para o Rio, fugir do frio e da chuva que resolveram estacionar aqui pelo Sul, visitar irmã, aproveitar feriado prolongado, ver a baguncinha da Copa... Que perfume levar? Pensei no jargão preferido dos turistas gringos: "One 'caipirinha', please?", algo que combinasse com sol e praia, chapéu panamá e bermudinha... hummm, já sei: Dolce Gabbana Light Blue. 
    Ele é efervescente, e ao mesmo tempo delicado e elegante, aquela malandragem de terno branco alinhado... Abre em limão maduro, maçã verde e campânula, fresquinhos, fresquinhos. Bambu, mais maçã em casca e rosa em pétala. E para segurar essa frescura toda? Cedro... na sua versão mais limpa (que até lembra o Cedrat, da Roger & Gallet) e um 'tiquinho' de almíscar. É o eleito de muitas brasileiras como seu office scent, mas acho um pecado usá-lo com roupas formais - fica meio equivocado, LB pede o clima "um banquinho e um violão", happy hour... 
    É o céu azul-claro das praias mediterrâneas. Um acerto e tanto, com quase 15 anos de sucesso!
    Projeção suave e duração mediana. Em pH ácido, predominam o limão e as notas florais, em pH alcalino, a maçã e o cedro.

    www.dolcegabbana.com/beauty

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    Quando uma história é contada muitas vezes, vai ganhando aquela aura de lenda, em que já não se sabe mais o que é verdade e o que não é... Chanel nº 5 é lenda, é icônico, um divisor de águas na história da perfumaria, que se confunde com a própria biografia de Coco Chanel. "Um perfume com cheiro de mulher", é o que se conta do seu pedido ao perfumista Ernest Beaux, que mistura o otimismo pelo fim da 1ª Guerra Mundial, a infância triste em orfanatos, a juventude na boemia parisiense - cantando "Mon chien Coco" - a rejeição de seus amores e da sociedade pela falta de sangue-azul. Esta complexidade de sentimentos está expressa no famoso nº 5.
    Nada traduz mais a alma feminina, em suas oscilações de humor, em sua vontade de ser admirada, parecer limpa e imaculada para a maioria e sedutora para poucos...
    A abertura em aldeídos preenche o ambiente. Atualmente o aldeído tem cara de 'antigo', mas tendo em conta que a fórmula está prestes a completar um século, imagine o quanto inovadora não foi a descoberta deste componente capaz de destacar o aroma floral. Flor de laranjeira e limão verde a deixam cítrica e limpa, clara como espuma de sabonete, traduzindo a obsessão de Madame Chanel pela limpeza (obsessão essa adquirida no orfanato de freiras no qual cresceu).
    Para dar corpo, a delicadeza das rosas e a opulência quase erótica do jasmin, contornada por lírios em profusão, naquela sensação de arranjo de flores sobre a mesa do vestíbulo: intimista e lindo de ver. E ao final, para humanizar, trazer o calor da 'mulher de verdade', uma combinação estratégica entre âmbar, patchouli, baunilha e civeta, que aproxima ao toque e recende a carinho de pele. 


    www.chanel.com/pt

    Falar mal de Chanel nº 5 é quase igual falar palavrão: deselegante e desnecessário. Se o legal agora é ter cheiro de mingau ou chiclete, ok... mas compreenda um contexto! Imagine, nos anos 20, uma Europa efervescente, uma estilista em busca de sucesso e ascensão, uma época em que cosméticos eram preciosos, e os perfumes usados às gotinhas. 
    PS - Se Marilyn o escolheu como 'pijama', é porque alguma (ou muita coisa tem)! E Marilyn jamais estaria errada!

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    O mercado nacional é bastante hostil com a perfumaria - mas como somos brasileiros, e não desistimos nunca, estamos entre os três maiores mercados da perfumaria mundial! 
    Não sei se você lembra, mas há um tempo atrás era difícil ter um perfume importado, muito difícil. Tudo dependia de uma sortuda combinação de um parente ou amigo em viagem ao exterior - em tempos que viagens internacionais eram complicadas e caras - e uns troquinhos a mais de reserva... Aí você encomendava para a boa alma que ia viajar, torcendo para a pessoa achar o dito-cujo, para chegar inteiro, etc, etc... (Ou no meu caso, ia no bom e velho Paraguai e garimpava por ali). 
    Ok, os tempos mudaram, a tecnologia está a nosso favor, todos conectados, transportes mais eficientes... Mas por quê raios perfumes continuam tão caros?
    Porque a tributação no Brasil é absurda, isso já estamos cansados de saber, inclusive só de olhar com atenção uma nota fiscal já dá vontade de gritar, bem alto, palavrões impublicáveis. 
    Esse sistema tributário, para tentar ser justo, se baseia numa equação entre necessidade e utilidade - assim, um produto da cesta básica, é menos tributado que o cigarro: afinal, com qual deles podemos viver sem? Perfumes entram na categoria das vaidades, futilidades, sem os quais é perfeitamente possível viver sem (ora, vejam só!), portanto sua alíquota (a porcentagem do tributo) é altíssima. 
    Agora pra tentar entender... Se o perfume é nacional, portanto, produto industrializado, ele pagará o IPI. O Imposto sobre Produtos Industrializados tem uma tabela específica, expedida pela Receita Federal, a TIPI. Ali, todos os produtos da indústria são classificados e suas alíquotas atribuídas (é um documento de quase 700 páginas, atualizado periodicamente). Se for Eau de Parfum, a alíquota é de 42%, Eau de Toilette e Eau de Cologne, 12%, e Desodorante ou Deo-Colônia, 7%. Agora você entende por quê O Boticário e a Natura quase não têm EDP, e quando têm, os preços ficam bem mais altos? 
    A isso deverá ser somado: ICMS de 25% e PIS de 1,65% e mais algum imposto municipal, pelo estabelecimento de revenda... 
    Agora para morrer de ódio:

    - IPI 42% + ICMS 25% + PIS 1,65% + Impostos Municipais = 69,13%

    Ou seja, pega seu Malbec, seu Lily Essence, até o Timeless da Avon e... tcharan: quase 70% do que você pagou nele, vai pra Receita (Federal, Estadual e Municipal). 
    Pra deixar tudo mais legal e bonito, para proteger a indústria nacional, se o perfume for importado, ainda tem o Imposto de Importação (II) e COFINS. Joga mais 9,5%, aproximadamente - e quase 80% do seu Lou Lou vira imposto! 

    Ah! Não confundir com as taxas de importação, que são aduaneiras, das situações em que você compra em sites internacionais (strawberry, sephora, fragrance.net). Ali valerá a regra de importação por pessoa física (aquela loteria de acompanhar o pedido, e ver se vai ganhar uma 'mordida' no terminal alfandegário). O mesmo caso é quando você volta de viagem, ou compra em Duty Free - a regra aplicável também será aduaneira. 


    Imagem: www.bussinessinsider.com

    E aí, vamos fazer um abaixo-assinado para o governo reduzir o imposto dos perfumes? (Para mim, continuam sendo artigos de primeira necessidade!!!)




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    Vou conquistar desafetas com essa resenha, já sei... Mas não consigo gostar dele!!! Acho que Carolina Herrera não gosta de cozinhar, ou, se cozinha, erra no tempero! É muita pimenta de cara, quase uma agressão (precisava aprender um pouco com o Hot Couture EDP, aquilo sim é pimentinha delícia). Tentou juntar cítricos, com especiarias, com açúcar e baunilha, e ficou uma mistura confusa, uma gritaria... canela demais em bases mal ajustadas!
    Mas, o que fazer se no inconsciente coletivo, é sucesso...? Já vi muita moçoila dizendo: "Os homens adoooooram"! (Assim, passar na frente de uma construção surte o mesmo efeito!)
    Eu sei que a proposta é exatamente essa: ser sexy. Mas assim como o Lady Million, associo com algo meio ostentação fajuta, quando se quer ser sexy, e força a barra, usa saia muito curta, exagera na maquiagem, faz 'duck face' no selfie... essa é minha impressão do 212 Sexy: descambou para o vulgar e já está ficando batido. O CH EDT (da embalagem vermelhinha) tem algo mais terroso, mais sólido, um contraste doce/amargo, e acho que a camurça o encerra melhor - acaba ficando mais sensual do que essa barra forçada do 212 Sexy. (Embora não faltem críticas ao CH também!)

    Eu sei que ele é o queridinho de muita, mas muita gente, só que para mim (e meu pH) não deu! 




    www.carolinaherrera.com

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    Mais um post 'didático'... (Eu tento ficar longe do meu lado nerd, mas não adianta!)

    Nesse post aqui, eu comentei um pouco sobre a tributação incidente sobre perfumes, que torna tão desanimadora a compra de fragrâncias importadas aqui no Brasil. Como ninguém quer ficar sem seu Chanel ou Dior, junta uma graninha e compra no exterior, certo? Agora com os sites de venda online, até um Bandit ou um Joy é possível, basta contar com a tecnologia (e a sorte!).


    Comprando do site nacional:
    Se o site for brasileiro (ou seja, você está comprando de um importador), o preço será mais alto, obviamente, porque aquela Pessoa Jurídica já pagou a tributação relativa ao produto. Você compra, espera a entrega, como qualquer e-commerce, estando inclusive protegido pelo Código de Defesa do Consumidor, de forma integral. Essa é maneira menos complicada, embora o custo/benefício nem sempre seja compensador, e o rol de marcas distribuídas, lançamentos e edições especiais fique bastante limitado. 

    Comprando de site estrangeiro:
    Se for em sites do exterior (consideraremos aqui que mandarão o produto para você a partir de outro país, não em relação à hospedagem do site, etc), no momento que faz o pedido, você se torna o importador - Pessoa Física, estando sujeito ao regime aduaneiro aplicado pela Receita Federal. 
    Quando a mercadoria é transportada, será acompanhada do 'Conhecimento de Embarque', onde constará seu valor. A partir deste - somado ao frete - será calculado o tributo devido - 60% sobre esse total, que deverá ser pago pelo destinatário quando o produto chegar ao Brasil. Como não é possível ao órgão aduaneiro fiscalizar todas as cargas que chegam, as mercadorias são tributadas por amostragem, o que explica que às vezes uma encomenda é tributada e outras não. 
    Pelo Regime de Tributação Simplificada (RTS), são isentas de tributos as mercadorias até US$ 50,00 (cinquenta dólares), lembrando sempre: valor este já com frete! (Por isso, calcule sempre com cuidado antes de fechar o pedido, para não ter surpresas desagradáveis).

    Comprando no exterior:
    Alguns países - geralmente aqueles que dependem do turismo, como Aruba, Anguila, St. Barthélemy e outras ilhas caribenhas, ou não que têm uma indústria nacional expressiva, como nosso vizinho Paraguai - têm um regime de tributação mais brando em relação aos produtos importados. Sem a taxação de quase 80%, o preço fica extremamente convidativo, não? Aí quando viaja, aproveita a oportunidade para encher a mala de perfumes e mais perfumes, tenta até fazer estoque se puder! 
    Mas é importante estar atento às determinações da Receita Federal, em relação a viajantes em regresso ao Brasil. A cota de isenção é de US$ 300,00 (trezentos dólares). 

    Opa! Posso pegar trezentos obamas e comprar uns 15 perfumes??? A resposta é: NÃO. Você poderá comprar ATÉ 5 itens de perfumes e cosméticos (desodorante spray, maquiagem, tudo conta nesse caso), com repetição de 3 itens. Ou seja, sou fã absouluta do Opium, e quero comprar uns 5, pra ter em estoque... Não vou poder. Vou ter que me contentar com 3 Opium, 1 Shalimar e 1 Poison, entendeu? Passando disso, será cobrada a tributação sobre o valor excedente à cota de isenção (50% sobre o valor que ultrapassar os US$ 300,00)

    Em caso de compra em Duty Free de Aeroporto ou zona alfandegária, a cota é de US$ 500,00 (quinhentos dólares), e a normativa da Receita Federal limita "até 10 unidades de artigos de toucador". 

    Ou seja, a compra não poderá caracterizar comércio ou encomenda, por isso a limitação/proibição de repetir itens...

    Mais alguma dúvida? É só comentar!



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    Elizabeth Arden começou sua carreira com spas urbanos em Nova York, com as indefectíveis portinhas vermelhas... Seria uma tentativa de democratizar a beleza? "Entre por essa portinha mágica e saia linda!". Pois a marca consegue isso com seus perfumes!
    Da água de colônia fresquinha do Green Tea (e suas dezenas de flankers) ao marcante Red Door, EA tem para todos os gostos - e bolsos!
    O Provocative Woman é bem charmoso. Ao contrário do Fantasy, a nota de marmelo é bem dosada, junto com pêssego e damasco tem uma parte frutal suculenta e suave. As notas de fundo são bem escolhidas, ambaradas, mescladas a cedro e sândalo, que dão uma durabilidade respeitável. Não que seja um exemplo de originalidade, mas é curinga para ser ter na prateleira, quando dá aquela preguicinha de pensar no perfume do dia... Apesar do nome, ele não é tão provocante assim, e é versátil, dá pra usar tranquilamente durante o dia, e, dando uma retocadinha, leva o happy hour na boa! 
    E o precinho é bem camarada, coisa de R$60,00 (vinte e poucos dólares) o de 100ml! Pra usar sem dó!




    Imagem: www.elizabetharden.com

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    Uma pena que não seja tão conhecido - achei por uma pechinchinha e depois nunca mais! Mas ô perfuminho bom!
    Ele tem uma orginalidade rara, se sustenta só em madeiras e raízes, e mesmo assim consegue ser delicado. Gengibre ao quadrado, cru, ainda ardido e fibroso. Óleo de casca de limão, algo medicinal. Heliotrópio alcalino, venenosinho, no arbusto. Ébano resinoso e âmbar. Junte tudo isso - e o My Afrika parece a mistura recém macerada, pronta para passar na pele. Diz que tem jasmim, mas não o sinto expressivo, quase não tem flor. A duração não é das maiores - umas 4 horas - mas acho que a intenção é essa mesma, até porque para fixar mais, seria preciso adicionar uma baunilha, um sândalo, e a proposta não é essa. Seria um pecado tirar essa aridez bonita, de fim de tarde na savana. 
    Gosto de usar naqueles dias de inverno, de céu azul puro e sem nuvens, renovando na hora do ventinho do entardecer. Dá um calorzinho imediato!

    Imagem: www.krizia.it

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    Meu carinho por esse perfume é de longa data, quase dez anos, para ser mais precisa... Lembro da euforia toda na espera do lançamento da Givenchy, na empresa de comércio exterior em que trabalhava, acompanhar o carregamento em cada escala, e, quando chegou, conferir caixa por caixa, se estavam todos intactos. Ali haviam também 4 testers, e quando o cliente chegou para buscar a carga, perguntou se queríamos um... Eu e minha colega não pensamos duas vezes: mas é claro que sim! Tiramos par ou ímpar para saber quem levaria aquele frasco em degradê, mas não tive sorte - ficou para ela!

    Imagem: www.givenchyconversations.com


    Quando ela borrifou um pouco no braço, achou estranho: esse perfume tem cheiro de Gelol? Rimos muito, e testei em mim para ver como aquela novidade se comportava. Realmente canforado, mas ao mesmo tempo explodindo em flores brancas. Uma hora depois um incenso resinoso que perdura por horas. Chegamos a uma conclusão: para ela, seria o demônio que amansa e vira anjo, o quente que esfria. Para mim, o oposto, um anjo glacial que vai esquentando até beirar a brasa acesa. 
    A única coisa que não é possível diante do Ange ou Démon é indiferença - pode ser que a pessoa diga: 'Detestei, estou com enxaqueca e tchau! Nunca mais quero sentir!!' Mas alguma coisa vai sentir: paixão ou raiva! 
    No meu caso, paixão duradoura e declarada! 
    Duração longa, de 9 a 10 horas, e projeção de moderada a intensa - então cuidado ao aplicar!

    Uma Thurman, o rosto escolhido pela Givenchy para Ange ou Démon (Escolha pra lá de acertada, não?)
    Imagem: www.givenchyconversations.com

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    Ok, vou repetir a casa Givenchy, mas a causa é nobre! Esse é um dos meus perfumes masculinos favoritos... 
    No título do post, 'Humphrey Bogart' vira adjetivo porque se o Xeryus Rouge se personificasse, imagino que seria o próprio: icônico, charmoso ao extremo e irresistivelmente sedutor - e o faz sem alarde ou esforço.
    A construção é excelente (palmas para Annick Menardo!), e o pulo do gato é a nota de cactus. Começa bem herbal e picante (Seria artemísia?), que vai ficando cada vez mais quente e sensual... Tem pimenta, tem cedro, tem cactus, tem maldade, tem malícia (acorda e para de virar esses olhos, menina!). É um dos maiores acertos da perfumaria masculina, que sequer passa perto da loção pós-barba para mocinhos engomadinhos. XR tem pegada, cangote, borogodó - ao contrário do Xeryus tradicional, que faz uma linha mais 'tiozão' - e tem muito a ensinar aos perfumecos que se veem em profusão por aí! 





    Imagem: www.givenchyconversations.com


    Sabe aquele cara de olhos misteriosos, barba por fazer e um passado obscuro? Ele usa Xeryus Rouge...

     Imagem: www.humphreybogart.com/photos (Official website)


    PS -  Aposto que se o Rick Blaine usasse XR, a Ilsa daria um belo tchau ao Victor Laszlo... "You must remember this, a kiss is still a kiss, a sigh is just a sigh..."

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    Sou da fronteira, daquelas que toma café da manhã no Brasil, almoça em Ciudad del Este (Paraguai) e janta em Puerto Iguazu (Argentina). Conheço cada cantinho, e para mim, não são só incursões de compras: adoro conhecer o cotidiano de cada uma dessas cidades.
    Quem é de Foz do Iguaçu bem sabe, Ciudad del Este é muito mais que aquela baguncinha próxima à Ponte da Amizade, tem ótimos restaurantes e confeitarias, uma laguinho charmoso, vida noturna agitada... Basta perder o preconceito e se dispor a conhecer com entusiasmo.
    Por esses lados, é super normal morar no Brasil e trabalhar em outro país (e vice-versa), e todo mundo se conhece! Eu mesma, quando estava na faculdade, morava no Brasil e trabalhava em Ciudad del Este - e foi uma experiência ótima. Assim pude conhecer e entender um pouco mais da dinâmica daquela muvuca toda.

    Mas... quem não é daqui, tem muito receio e dezenas de dúvidas sobre comprar no Paraguai, especialmente perfumes. Já falamos das regras da importação aqui, mas agora vamos falar da qualidade e procedência dos perfumes propriamente ditos. (Vou fazer no sistema de perguntas e respostas, que é mais fácil para compreender)

     Perfumes no Paraguai são legítimos? Por que ficam tão baratos?
    Se comprados em lojas de confiança, são legítimos sim. Aqui já expliquei o porquê do preço exorbitante dos perfumes no Brasil em relação ao Paraguai: culpa dos impostos! Mas como a tributação do lado de lá é mais branda, o preço fica convidativo. Existem sim bons importadores, estabelecimentos com mais de trinta anos, que têm sólidas relações comerciais com boas casas de perfumes na Europa e EUA.

    Posso ser enganada ao comprar um perfume no Paraguai? 
    Assim, se você estivesse na 25 de Março ou no Saara, e passasse alguém lhe oferecendo perfumes importados na rua, você compraria? E porquê raios no Paraguai seria diferente? Já me ofereceram coisas estapafúrdias como "Isabella Sabatini" ou "Rogério Cavalli" nas ruazinhas tumultuadas de Ciudad del Este! Finja que não viu o vendedor de rua, passe reto, e vá em lojas confiáveis... Simples assim!

    Ok, não vou parar em camelô para comprar perfumes. Mas posso ser enganada por alguma loja?
    Infelizmente, pode sim... A falsificação e pirataria são negócios extremamente lucrativos, no mundo todo - sendo as bebidas e perfumes alvos fáceis. Desconfie sempre de preços muito mais baixos que em outros estabelecimentos (coisa de 10, 15 dólares a menos), caixas sem o celofane e sem lacre, e tenha atenção redobrada com perfumes descontinuados ou os lançamentos que todo mundo quer (são os mais visados para falsificação). Confira tudo muito bem no momento da entrega, e procure boas referências antes de comprar - raramente as lojas aceitam reclamações posteriores.
    Lojas de confiança (pelo menos pelas minhas experiências): Elegância Perfumaria (Shopping Jebai) e Elegância Tower (loja externa), Charme Perfumeria (Shopping Jebai), Beny Center (Shopping Vendôme), Guarani (que inclusive trabalha com um ótimo portfolio Guerlain, e fica nos Shopping Vendôme), La Petisquera (Shopping del Este e loja externa), Macedônia (Shopping del Este e loja externa) e Monalisa.
    [Aproveito para deixar registrado: este não é um publipost! Como disse antes, me baseio apenas nas minhas experiências de compra.]

    Os perfumes que vendem no Paraguai, são os mesmos vendidos nos Estados Unidos e Europa, ou a fórmula é diferente/inferior?
    Os perfumes a venda em boas lojas são os mesmos, vindos diretamente dos países de origem, com a mesma fórmula, fixação, etc. Fique tranquilo(a)! 

    Imagem da Ponte da Amizade, que une Brasil e Paraguai 
    (E que já foi o maior arco de concreto armado do mundo
    Créditos da Imagem: Nilton Rolin - fotógrafo e amigo!

    Então, com cautela, dá pra juntar uns obamas e se jogar nos perfumes aqui no vizinho Paraguai!

    Y la garantía? La garantía soy yo!!!



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  • 08/15/14--06:00: Perfumes Bons e Baratos
  • A carga pejorativa da expressão "perfume barato"é enorme: parece que para ser bom e distinto, um perfume deve ser necessariamente caro, exclusivo. A questão do valor pode ser um trunfo ou um problema para algumas fragrâncias - não vou nem entrar na discussão sobre o blockbuster Britney Spears Fantasy, que ultimamente ganhou a injusta alcunha de perfume do populacho ou de 'piriguete', devido à distribuição pela Jequiti.
    Minha realidade é um pouco favorecida, porque ir ao exterior é rotina para mim! (Se eu sou rica? Não, sou de Foz! Rá!) Ali no país "vecino" tudo fica mais fácil e mais barato, e o rol de marcas é bem satisfatório. Em minha estreia na mesa redonda dos blogs de perfumes, tem achados nacionais e pechinchas da fronteira - quem quiser me visitar, está convidado! Separei 7 queridos, que não vão fazer você torrar seu salário para ficar cheiroso(a).

    Outspoken - Fergie para Avon
    Tenho a maior preguiça de quem critica os perfumes da Avon (coisas bobas como: "sinto esse cheiro no ônibus" ou "tem cheiro de gente pobre") sem sequer conhecê-los e dar uma chance à sua evolução na pele.
    Afinal: qual o problema de sentir um aroma gostoso no ônibus? Por que aquela pessoa que acorda de manhã, se arruma com o seu esmero e vai para a batalha diária com o perfume que seu salário permite, deve ser criticada? 
    Comprei o Outspoken por R$ 45,00 numa promoção do livrinho da Avon, e foi uma ótima aquisição. Diz que tem amora gelada na composição, mas para mim não aparece. O que sinto é muita carambola, uma tuberosa bem comportada e notas de fundo de couro escuro e ébano, que tornam Outspoken bem sexy e jovial (dizem que é o irmão mais novo do Amarige). A duração é de umas 6 horas, com projeção muito agradável. É um perfume de boa qualidade, assinado por Laurent Le Guernec, que merece seu reconhecimento - e viva a democratização do cheirinho bom!



     www.avon.com.br


    Vanille Bourbon - Ligne Pure - Omertà
    Essa Omertà eu encontro no Paraguai por US$ 15,00 o frasco de 100ml. Considerando a cotação do dólar a R$ 2,38, são uns 35 pilinhas bem empregados. Não é uma marca muito conhecida, e é meio "na sorte" para encontrar. O que posso dizer é que consiste em uma baunilha agradável, levemente alcoólica, combinada com âmbar e almíscar branco que a deixam adulta e elegante, sem aquela coisa de sobremesa. Combina bem com manhãs de outono, e dura umas 5 horinhas de respeito.


    Imagem feita por mim, porque não achei quase nada da Omertà na net!


    Provocative Women - Elizabeth Arden
    Esse já resenhei, inclusive com a descrição "Bom, Bonito e Barato". É meu curinga na preguiça de escolher o PDD, dura, projeta bem e rende elogios. É um frutal suculento: marmelo (a fruta, não a marmelada), damasco, pêssego e todas as drupas possíveis! Pra deixar ele provocativo de fato, tem gengibre, âmbar-fogo e madeira de hinoki - mas ele ainda não fica tão provocativo assim. Custa uns US$ 36,00 (x R$ 2,38 = R$ 85,68) o frascão de 100ml, que dá pra borrifar com alegria e sem remorso.


    www.elizabetharden.com

    Dalissime - Salvador Dali
    Outro suculento do meu coração: pêssego, abacaxi maduro, lichia... um corpo floral com rosas brancas, e fundo de baunilha e âmbar. É um fofo, não chega a arrebatar corações (mas o meu arrebatou!), que me proporciona uma alegria indescritível por umas 7 ou 8 horas. Tem também o valor sentimental: foi um dos primeiros importados que conheci! Gosto do frasco bonito, da cor rosada, dos lábios que são a marca registrada de Salvador Dali. Encontro esse bonitinho por US$ 26,00 (ou seja, uns R$ 62,00) o de 50 ml. 


    shop.salvador-dali.org


    Angico Branco - Mahogany
    Outro garoto nacional que me conquistou. Ameixa e casquinha de laranja com madeiras claras, polidas. Gosto de usar a linha toda, com sabonete e creme, para fazê-lo durar e projetar mais, já que nisso ele ainda peca um pouquinho - fica só umas 4 horinhas rente a pele. Ele me remete a conforto, sala com lareira, cafuné. Comprei no escuro, fiquei naquela euforia de menina esperando o correio... e quando chegou, me surpreendeu positivamente (inclusive o serviço de e-commerce da Mahogany). Custa 88 dilmas, e vale o quanto pesa.




    http://www.mahogany.com.br/produtos/Angico-Branco/Fragrancia


    Esencia de Duende - J. del Pozo
    Pode ser que esse aqui seja mais barato por esses lados, mas também não custa muito na Pindorama... atravessando a ponte, o de 30ml fica por 15 obamas (ou 35 dilmas). É um floral frutal fresquinho e divertido, perfeito para o verão escaldante, quando você fica meio suada, descomposta e faz de tudo por uma brisa geladinha. Tem maracujá, lírio e flor de lótus, e dá para usar sem medo: não sufoca e não incomoda.


    www.perfumesclub.com


    Brut - Fabergé
    O pai de todos os fougeres, a US$ 9,00. Cheiro de barbearia, de moço limpo e engomado pela manhã. Lavanda, manjericão, vetiver e musk, bem ardidos e adstringentes. Quase um despertador instantâneo! 


    www.perfumeandcolognemall.com



     Confira agora os top baratinhos escolhidos pelos blogs mais perfumados:

    1 nariz: www.1nariz.com.br
    A louca dos perfumes:http://aloucadosperfumes.com/
    Le Monde est Beau: http://lemondeest.blogspot.com.br
    Helen Fernanda: www.helenfernanda.com.br
    Odorata: http://odorataparfuns.blogspot.com.br
    Parfums et Poesie: http://parfumsetpoesie.blogspot.com.br
    Perfume Bighouse: www.perfumebighouse.com
    Pimenta Vanilla: http://pimentavanilla.blogspot.com.br/
    Templo dos Perfumes: http://templodosperfumes.blogspot.com.br
    Van Mulherzinha: www.vanmulherzinha.com
    Village Beaute: http://villagebeaute.blogspot.com.br





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    O que define uma madame? Seria aquela senhora fina, distinta, de família tradicional, que frequentou escolas de etiqueta, é uma excelente anfitriã, prepara chás e encontros memoráveis, dedica-se à caridade, às artes e à vida social? Então eu quero parar tudo e virar madame, por favor!!!
    O meu maior contato com o 'madamismo'é meu querido L'Air du Temps Eau de Toillete. Que coisa mais chic, mais refinada, mais etérea... É uma suavidade que não encontra contemporâneos à altura, talvez por representar a paz e a euforia de um mundo que respirava aliviado o fim da II Guerra. Todos em busca de reconstruir seus sonhos, suas famílias, a feminilidade e a delicadeza depois de tantos anos austeros. Por isso os delicados pombos na tampa - paz na terra entre os cheirosos de boa vontade!
    Tem toda aquela combinação de flores sofisticadas - cravo branco, violeta, íris, gardênia - revelando um tempo que cada flor oferecida a uma dama, guardava um significado especial. Tem aldeído também (e qual clássico não tem?) mas não tão pungente como o Chanel nº 5, é só o toque para realçar tantas flores puras. Néroli, que deixa L'Air du Temps assabonetado, limpíssimo, como aqueles sabonetes de toucador, que se presenteavam como finos regalos. A saída é luminosa também: almíscar, musk, cedro e vetiver, para ninguém botar defeito. 
    Adoro de paixão, em mim recende a suavidade e elegância, a moça bem criada, que treina a postura equilibrando livros sobre a cabeça. Pelas lendas da perfumaria, são várias as afirmações que era um dos perfumes favoritos de Lady Diana Spencer. Faz todo sentido!

    Imagem: http://www.ninaricci.com/pt-BR/Fragrances/L-Air-du-Temps


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    Em um episódio inusitado da minha vida conheci uma bela búlgara, chamada Yordana... Ela fez uma apresentação artística maravilhosa, cantou uma canção de sua terra, chamada "One Bulgarian Rose". Sobre o longo cabelo loiro, usava uma coroa de enormes rosas vermelhas, representando orgulhosíssima o símbolo de seu país. O refrão da música dizia mais ou menos assim: "Nesse lindo dia, aceite a rosa búlgara que lhe ofereço, deixe-a contar, com sua voz perfumada, sobre os Bálcãs, sobre o mar e sobre todos nós". 
    Se no Brasil as rosas não falam, na Bulgária elas contam histórias...
    A Mahogany vem trazendo uma certa alegria no cenário nacional de perfumes: fragrâncias bem feitas, frascos bonitos e preço justo. Bulgarian Rose faz dupla com o Angico Branco entre os meus preferidos - e toda vez que vejo o frasco no meu armário, lembro da Yordana e sua música.
    Lógico que tem rosa, muita rosa, claras e vermelhas, em pétala e em tintura... mas tem frutas - tanto pequenas bagas escuras como blueberry, amora e framboesa, quanto cítricas laranjas e tangerinas. Não enjoa, de jeito algum, fica muito feminino e delicado. As notas de base são bastante clássicas, mas o que se destaca é o benjoim, meio incensado, untuoso. Gosto muito, especialmente pela evolução linear.
    Ele tem um cheirinho de "mãe" na minha opinião, mas não de mãe-coruja estilo Noa da Cacharel, uma mãe mais dondoca... Uso pela manhã, em dias frescos, quando não estou muito a fim do combo jeans + camiseta. 
    A única coisa que poderia melhorar, é a fixação - permanece por umas 3 ou 4 horas, e depois disso é só saudade! (Mas isso é esperado, afinal é deo-colônia, como a esmagadora maioria dos nacionais)

    Imagem: http://www.mahogany.com.br/produtos/Bulgarian-Rose/Fragrancia



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    Como professora de História do Direito, o tema da ‘mesa redonda’ deste mês me instigou: Perfumes do Egito Antigo. Eu não estava lá para saber, mas quando imagino aquela paisagem desértica, dependente das secas e cheias ao capricho do rio Nilo, tentei imaginar os aromas que pairavam por aquela que foi uma das primeiras civilizações. As fontes históricas são unânimes: os egípcios se perfumavam, e muito! Mas tentei pensar mais no cheiro como um todo, não somente das pessoas, o aroma do lugar (como o da minha cidade tem um cheiro incrível de mato fresco!).

    O Aroma Natural: Entre muita areia, surge o rio Nilo, trazendo argila e detritos, espalhando-os às margens. Aquele solo mole, pantanoso, deveria ter cheiro de umidade, de musgo, de plantas aquáticas - papiros e taboas. Plantações de cevada, gramíneas e mato rasteiro. Ao longe, somente areia e pedras, aridez de deserto, sol ardente. Meu olfato viaja nesse contraste entre seco e úmido, fértil e árido. 

    O Aroma das Casas: O rio Nilo era generoso, mas não tanto. A alimentação não era muito variada, e contava com poucos gêneros, sobressaindo-se dois: a cevada e a cebola. A cevada era aproveitada de várias formas, como pão, mingau e até a popular cerveja. A cebolas, bom, acredito que as cebolas não seriam um ingrediente lá tão versátil, associo sempre como coadjuvante do prato. Um pouco de vinho, tâmaras e figos – aquele aroma frutal escuro, denso. E para adoçar a vida, contentavam-se com leite e mel, que acompanhavam as provisões reservadas à posteridade – o mel era a iguaria mais encontrada nas urnas mortuárias. Imagino as casas com esse aroma maltado, fermentado, misturado com frutas secas e mel. Curioso e apetitoso.

    O Aroma Ritual: O ritual de mumificação permitiu muitas descobertas sobre o Antigo Egito, muito mais que outras civilizações posteriores. A preocupação com o pós-morte, pela preservação do corpo para abrigar novamente a alma, era o traço marcante da religião egípcia. O ritual não deveria ser a cena mais encantadora de se acompanhar, mas vamos imaginar toda a alquimia envolvida: natrão, serragem, resinas, tiras de linho e essências. Camadas e camadas de mistérios, que envolviam um diálogo entre o visível e o invisível. Um cheiro medicinal, pungente, entre o perfume e o remédio, a limpeza e a repulsa. 


    O Aroma Sagrado: O faraó era a divindade na Terra. Seu cotidiano era ritualizado, cercado de sacerdotes e escribas. Nos ritos do templo e no palácio, provavelmente predominavam os nobres aromas do incenso, gálbano, mirra, cedro e benjoim. Para os escribas, o aroma do papiro, aquático, folhoso, e das tintas e pigmentos para a escrita que seria consultada e desvendada mais de um milênio depois. Um caminho invisível e perfumado, entre a eternidade e o momento. 

    Mas... o desafio verdadeiro é: qual seria o perfume encontrado entre as relíquias das pirâmides? Vejamos: precisa ter incenso, mel, papiro, resina. Também precisa de luxo, riqueza, exclusividade - afinal, apenas os nobres tinham por morada eterna uma pirâmide. Pensa, pensa, e... não consigo associar com outro que não o Incense Oud da Kilian - nobre, incensado, misterioso. Sem estereótipo de masculino ou feminino, apenas um aroma que parece atravessar milênios!


    Imagem: www.punmiris.com


    E você? Me conte agora: na sua imaginação, qual o perfume do Antigo Egito?



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    Essa foi uma jogada certeira das fragrâncias Chloé: conseguiram deixar o Love ainda mais delicioso.
    Tem como misturar talco e baunilha? A resposta é: tem – e o Love Eau Intense prova isso. É ambarado e quentinho, naquele estilo que o Joop! Le Bain tem de peculiar, mas aqui ficou mais suave, com um toque mais floral (glicínia, talvez?) e suave. Não é o amor carnal, estilo Hipnotic Poison, é aquele amor sublime, de cavaleiro para sua amada, que faz serenata - o perfume da Marita de Dirceu!  

    Imagem: http://www.chloe.com/#/collections/fragrance/chloe/love-e-intense


    Dança próximo à pele, lindamente ao longo de um dia inteiro, por esse fundo balsâmico e caramelado. O mais interessante, é que o Love Eau Intense não é doce-formiga, nem talquinho de vovó, consegue trazer conforto a quem usa e a quem sente, lembrando de longe o pó-de-arroz. É o cheiro da neta daquela senhora chic, que na mocidade se perfumava ao L'Air du Temps: a evolução da elegância, versão século XXI.
    Neste fim de inverno, está sendo minha companhia diária, rendendo muito elogios.
    Amor eterno, amor verdadeiro! 

    Imagem: http://www.chloe.com/#/collections/fragrance/chloe/love-e-intense/campaign


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    Quando se fala em notas perfumadas pensamos sempre em flores, especiarias, favas e madeiras, não é mesmo? Mas, e quando um elemento típico da salada se torna perfume?
    Fiquei curiosa com esse assunto, quando senti um cheiro refrescante, “crocante” e geladinho no DKNY Be Delicious. “O que será isso?” pensei eu... Era uma nota inusitada: pepino japonês! Realmente, é um cheirinho muito refrescante – aquele truque de colocar pepinos cortados sobre os olhos para tirar as olheiras tem utilidade desde o tempo da sua avó, acredite. E lá fui eu atrás de pesquisar quais as saladinhas que entram nas composições perfumadas – e tive algumas surpresas:

    Imagem: www.facialbook.com

    Pepino
    Refrescante e crocante, que assim como a melancia, pode ser considerado o quarto estado físico da água. A nota de pepino pode ser encontrada em fragrâncias fresh, com a cara do verão, para dar um vigor geladinho. Fica pronunciada no DKNY Be Delicious e quase todos os seus flankers, no Polo Blue, no Ralph, de Ralph Lauren e no Davidoff Cool Water feminino.

    Chicória
    A chicória exala um frescor incrível, só de se aproximar da horta já é possível sentir. É o cheiro mais de “salada” que conheço, folha verde e viçosa. A água de chicória é revigorante, recende mato úmido, raiz encharcada – os indígenas do sul adoram esse banho! O incônico Tsar da Van Cleef and Arpels tem entre as notas de topo a chicória bem marcante, assim como o Azzaro Chrome.

    Salsão
    Eu conheço o salsão por aipo, e o adoro cortado, crocante sobre a salada. É levemente salgado e vigoroso, de um aspecto ardido, deixando a as fragrâncias masculinas herbais ainda mais interessantes. Sinto bem marcante no Dior Homme Sport e no Romance for Men, de Ralph Lauren.

    Pimentão
    O pimentão é picante e levemente adocicado, que empresta sua cor e formato para vários pratos apetitosos. É usado para dar aquela nota de topo um pouco agressiva, de tempero fresco, sem a secura das especiarias ou da amplitude do fougère, dando o tom para as notas de corpo mais geladas. Tem pimentão no L'Eau par Kenzo pour Homme EDP e um pouquinho no Guerlain Homme.

    Tomate
    A fruta nativa da América, que a Europa inteira caiu de amores, também encontrou lugar na perfumaria – tem uma acidez curiosa, que borbulha no nariz - e um aroma sumarento, quase agridoce. O tomate está curiosamente no Passion de Annick Goutal, Un Jardin sul le Nil da Hermès e no mais tomate de todos: Les Belles de Ricci Liberty Fizz, da Nina Ricci, cheio daquela irreverência anos 90, de ser cool sem fazer esforço, com tomate em fruta, tomate em suco e muita melancia. 

    Imagem: www.wallpaperscraft.com


    O mais curioso: apesar de serem elementos “comestíveis”, essas notas passam longe de fragrâncias consideradas gourmand. Será que o gourmand seria algo restrito ao que é apetitoso, como a sobremesa, e a salada ainda permanece na categoria de 'comida-castigo'? (Coma toda sua salada, ou nada de sobremesa, viu?!) Eu adoro esse efeito fresh, já estou pensando com carinho nos que vão me acompanhar no verão que se aproxima...

    E você, já escolheu o seu “perfume de salada”?

     Imagem: www.shutterstock.com

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    Sisudão, o irmão certinho e metódico, exemplo da família... Esse é o Calandre para mim, moço de berço, bem alinhado. Que acorda cedo para a reunião de negócios, resolve tudo com esperteza, e volta e meia tem que tirar os irmãos 'mais novos' de encrencas - o caçula One Million que o diga! Calandre preza pelo bom nome da dinastia Paco Rabanne.
    O frasco é elegante, limpo, sem frufrus, e o próprio líquido - transparente - é atração, na moldura retangular cor de prata. Letra legível e regular, um retrato em preto e branco que conta uma história inteira. 
    A construção olfativa é aquela típica da transição 60/70, que tenta passar uma ideia  futurista - o que explica tanto aldeído - mas justamente isso o torna interessante: perfumão! Não encontra pares na atualidade, um vintage nada obsoleto. Após um susto de aldeído, pronunciam-se a rosa - naquela forma metálica -, jacinto, lírio e seiva verde, de folha pura. Ao final o almíscar aparece e um atalcado limpo toma conta. 
    Quer uma dica? Sabe quando você precisa enfrentar uma reunião na empresa, que quer se fazer notar, só que de forma sutil e com muita classe? Vá de Calandre, que não tem erro! Acho plenamente compartilhável, moços e moças, todos podem levar esse cara passear sem fazer feio.
    Minha experiência: Duração de 6 a 7 horas (em pH baixo), com projeção comedida - lógico, passado o 'baque' inicial do aldeído! Esse é aquele caso de fragrância que a fitinha de papel engana completamente, então, borrife na pele, aqueça, espere toda a evolução e só depois dê o veredicto!



    Imagem: http://www.pacorabanne.com/#!/en/fragrances/classics/calandre/1



    PS - Lembro, nos já longínquos anos 80, de uma linha da Avon, chamada 'Encontro', que certamente foi inspirada no Calandre. Acho que foi a alternativa de quem não encontrava o importado por essas paragens!

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    Quando eu era pequena, ainda querendo ser moça, eu lia muito, muito mesmo... até hoje leio um absurdo, o que me rendeu um grau altíssimo de miopia. Eu lia de dicionários a bulas de remédios até enciclopédias e livros de botânica. E lia Marie Claire, Elle e Vogue, quando ainda eram revistas de MODA - boa moda! Isso era nos idos anos 90, e as propagandas pregavam a androginia, minimalismo, uma aversão ao dourado e ao rebuscado. Fotos de Mario Testino e Annie Leibowitz. Preto e Branco. Heroin Chic. Linhas puras. Jeans e T-Shirt branca. Coturnos. Grunge. Friends... Ai, fiquei nostálgica!



    Nesse contexto, Calvin Klein acertou em cheio em uma criação que se tornou símbolo, daquele distante 1994, que definiu toda a estética 90's de ser - foi a despedida definitiva daqueles resquícios dos anos 80, o Obsession já dava sinais de cansaço, era hora de algo novo. E nasceu o ultra-cool CK One. Não é feminino, não é masculino. É claro, luminoso, fresco e despretensiosamente chic. Como jeans, camiseta e botas - vestidas numa magérrima Kate Moss.

    Limão Gelado, Papaia, Almíscar, Cardamomo e Muguet. É tanto frescor que parece atrvevimento. Uma janela aberta de um studio moderninho - soprando ar gelado nos convidados que batem papo na sala. Um frasco limpo, leve, quase um cantil. E o melhor: sem aquela nota ozônica "cheiro-de-geladeira"! 

    Imagem: http://explore.calvinklein.com/en_GB/explore/ckfragrances/home/products/

    Não demorou para aparecer um irmão, com mais almíscar, menta, tangerina e mato verde. Também versátil, esperto e limpinho - aquele suéter que faltava para amarrar na cintura (lembra?) Teve quem achasse muito boyish, mas eu achava lindo, cool e gente fina! 

    Imagem: www.fragrantica.com


    Até hoje são meus queridos: não consigo escolher um só! Foram imitados à exaustão, deixaram uma lista de inspireds: do Dalimix (com um toque de pêra gelada) ao Insensatez d'O Boticário, que foram aos poucos esquecidos em lugar dos açucarados. Para ficar tranquila, preciso de dois frascos, de 200 ml - um controverso exagero a esses fresquinhos que se recusam a ser over! Não posso ficar sem...




    Lembra dessa vibe? Foi há 20 anos atrás! Genteeee, eu quero um DeLorean para dar uma passeadinha pelos 90's de novo, quem vai comigo?







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