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    Que lindeza! Perto. Fique perto, assim, pertinho, de conchinha. Perto como nenhum aplicativo é capaz de deixar, como nenhum facetime permite. Perto. 
    'Closing time, open all the doors' - Close tem cheirinho de creme aveludado pós banho, com um toque de pele morna, quase salgado. Tem cheiro de camiseta do(a) amado(a). 
    Levemente amendoado e cremoso, mas ao mesmo tempo limpo e almiscarado. Aquático, floral - pode isso? Uma sinfonia baixinha, intimista, bem equilibrada e nada monótona. Uma gota translúcida escorrendo na pele. Perto, muito perto. 
    'I know who I want to take me home.' Levá-lo para casa é fácil, uma borrifadinha e a paixão acontece, como o olhar que se cruza no inusitado, na fila do cinema, no(a) colega de aula novato(a). E não haverá arrependimentos, apenas momentos de ternura e proximidade. Quase cândido, mas tão humano.
     

     Duração de 6 horas, o que para EDT é considerável, mas sempre de pertinho. Querer rastro nessas circunstâncias seria absoluta tolice, para merecer conhecê-lo é necessário um abraço, precisa estar perto. 
    'Closing time, every new beginning, comes from some other beginning's end.' - como a canção fofinha do Semisonic, tem clima de abraços e carinhos.




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    Uma boa criação. A joalheria Vivara conseguiu marcar presença e ampliar mercado com a linha de joias de prata Life, voltada a um público jovem e àquelas pessoas que sonham com uma peça da marca, sem, contudo, desembolsar valores acima de quatro dígitos. O branding esperto em shopping centers também funciona, sem tirar o prestígio e o glamour de joalheria e seus objetos de desejo. A fragrância feminina V Pour Elle, em versão Eau de Parfum, traduz bem este espírito da marca, com delicadeza e elegância.
    Classificado como "floriental", tem os mesmos lírios do Allure Sensuelle EDT da Chanel, flores cálidas e melífluas, algo morno, com vapores ambarinos e frutal adamascado. O fundo de madeiras resinosas garante distinção, formando um acorde adulto e elegante, que repousa bem na pele.
    O valor, para o mercado nacional (R$ 210,00), empata com Elysée d'O Boticário e demais promessas de EDP, que encaram os pesados quarenta e tantos por cento de tributação. Ou seja, é belo, é elegante, mas, quem tem acesso a importados grifados, talvez prefira outras opções.

    Imagem: vivara.com.br
     
    E, uma observação: o frasco poderia ser mais caprichado. A tampinha, em um plástico cheio de rebarbas e arranhões (ao menos no meu estava) tira pontos, em algo que deveria transmitir o luxo e a distinção da marca Vivara. Merece uma atenção maior.
    Mas ainda assim, vale o teste. Nas lojas físicas, as vendedoras sempre simpáticas e bem treinadas costumam apresentá-lo com entusiasmo. A pausa no passeio certamente será válida.

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    Como é início do ano, e geral tá postando em suas redes sociais aquele mooooonte de fotos felizes, em praias paradisíacas, entre vestidos brancos, taças de espumante e pernas para o mar, vamos falar desse lindinho que passa férias em Trancoso ou Jeri, sem abrir mão da bolsa grifada, do dourado e do glamour. 
    Acqua de Roberto Cavalli pode ser considerado uma versão mais leve, aquática e vaporosa, que adiciona frescor ao dulçor floral de jasmins e flor de laranjeira do Roberto Cavalli EDP (aquele do frasco dourado, sabe qual?). Fica mais descontraído, fresh, retirando a pimenta - para muitos, incômoda - e a baunilha de fundo, que cede seu espaço para os acordes almiscarados. É chique e menos aparecido, não é para o público 'piscinão' - tanto pelo preço quanto apelo.


    Imagem: robertocavalli.com

    Um cítrico frutal de maracujá fresco e limão marca uma entrada fizz, que logo casa ao floral, dando ares tropicais e festivos, evoluindo para as melífluas flores de laranjeira e pétalas brancas. Logicamente, a efemeridade cítrica-floral-aquática retira um pouco da duração, não espere aquele efeito prolongado, que gruda até os ossos - até porque ficar até o fim da festa é o erro. Aproveite-o enquanto o drink ainda está gelado, a brisa está gostosa e o papo está animado!
    Santé!

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    Pega o batom vermelho e seu estojo de maquiagem. Agora uma generosa dose de mousse, e arma um topete no cabelón. Dá um play na sua BASF com o último sucesso da Madonna, que em seu sonho na Isla Bonita fez todo mundo dançar. Muito lamê, babados e ombreiras, brincos de argola e pedrarias. Estamos em 1987.
    A moda é uma hipérbole, em seu excesso de informações e referências que saltam aos olhos e confundem os sentidos. Franco Moschino e suas criações coloridas e irreverentes se consolida como ícone fashion neste contexto over - e sua primeira criação na perfumaria fala este idioma. 
     
     É disso que estou falando!

    Moschino de Moschino EDT - sim, é EDT! - tem uma potência típica das fragrâncias oitentistas, em seu bling-bling dourado, rastro poderoso e dezenas de acordes pungentes bem combinados. Um clássico cravo apimentado, que aos poucos vai acalmando para revelar rosas amaciadas pelo tom atalcado e elegante, com os calores do sândalo que para muitos remete ao Obsession de Calvin Klein. Realmente tem o fundo amadeirado e denso, a mesma sensação de envolvimento e densidade do Obsession, porém com algumas nuances e flashes mais florais e adocicados. Assim, fica mais explosivo e polvoroso, menos soturno, mantendo uma aura sexy e atrevida de quem não quer passar despercebida(o). 
     

    Comprei em um blind, e não me arrependo. Apesar de forte e talcado (amo!) já ganhou ares atemporais, e como é uma criação bem feita e bem executada, terá sempre lugar cativo na prateleira, para aquelas ocasiões que uma bomba é bem vinda, e que não se está no espírito dos aldeídicos. 
    Não precisa nem mencionar fixação e projeção, ambas potentes. Deixa rastro, fica na roupa e na memória.

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    Terno acalento na face, o vento de outono faz cair as folhas secas e alaranjadas, crocantes a cada pisada, desfazem-se no chão. As noites que vão se alongando pedem mais carinho e aconchego, tons cálidos e sabores adocicados. O caráter doce frutado e licoroso de Burberry Woman EDP o fazem uma bela companhia na estação mais charmosa e terna do ano. 
    Notas de frutas maduras, delicadas e levemente temperadas, imersas em calda doce e licorosa. Um doce 'adulto' e refinado, com traços de especiarias e baunilha em fava, fervente, levantando vapores perfumados em uma receita que se apura ao fogo, atiçado de quando em quando, para que suas madeiras espalhem pequenas fagulhinhas brilhantes. 
    Tem estilo, tem tempero e requinte, amendoado como Amaretto ou Frangelico, de provar aos golinhos e esquentar o coração. Um frasco redondo, sem arestas, assim como a fragrância, acondiciona esta iguaria para os sentidos.



    É bastante intimista, de projeção comedida e duração considerável. Aveludado, macio... Me faltam adjetivos para esta joia ambarada que me acompanha depois do equinócio. Um abraço engarrafado!


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    Após um longo período de ostracismo, me dedicando a full em um projeto pessoal - que graças à Energia Superior se concretizou - eis que volto. Depois de uma viagem incrível, interna e externamente. Depois de uma outra viagem incrível, à ilha que virou mito e alimenta muitas lendas. Cá estou novamente, neste espacinho que para mim representa uma terapia. 

    "Oie!"
    "Oigo!" 
    Assim começam as conversas em Cuba. Não pretendo me alongar em discussões político-ideológicas. Me atenho a comentar é que é um lugar fascinante. Somente sentindo, vendo com os próprios olhos, andando pelas ruas e praças coloniais de Habana Vieja, provando "moros y cristianos" em algum Paladar, vendo o sol se pôr na brisa do Malecón ao rugido das "máquinas" ao fundo. Flutuando no mar esmeralda de Varadero. Andando de cocotaxi escutando do próprio povo sua versão dos fatos. Apreciando o verdadeiro mojito, com direito à discussão se admite ou não angostura na receita. 
    Se te disserem "Vá para Cuba", recomendo que obedeça.


    Foi a oportunidade de conhecer, na Calle Mercaderes a Habana 1791. Que preciosidade! Quando cheguei, estava quase fechando, mas, por sorte, consegui encontrá-la de portas abertas a tempo. Um casarão antigo, decorado ao estilo art nouveau, repleto de garrafinhas e aromas. Ali é possível montar uma combinação personalizada de essências e criar sua fragrância. Escolhi criar duas combinações (tive que me impor um limite, até porque não teria como levar vários volumes líquidos na bagagem!) que me agradaram muito em qualidade.


    A primeira foi uma combinação floral herbácea, com rosa, lavanda, vetiver e uma acorde fantasia denominado felicidad. A nota de rosa é bastante proeminente, e ganha frescor e um toque picante/adstingente graças à lavanda quase masculina. Durante a secagem, vai ganhando aspecto polvoroso e assabonetado, de muita limpeza, como os perfumes clássicos das décadas de 1940/1950. Algo de L'Air du Temps e sua rosa de sabonete fino de toucador. Vai ser companhia certa na primavera.




    A segunda, para celebrar o inverno, foi uma combinação mais quente, com tabaco, chocolate amargo, âmbar, patchouli e o acorde fantasia dulce habana. Resultou em um aroma alcoólico, grande, enfumaçado e cheio de contornos, meio caramelado. Lânguido, projeta como a fumaça dos charutos que sobe em espirais cinza-claras. Permanece rente à pele como licor de chocolate, com um patchouli terroso e vivo. Fiquei contente com as minhas combinações.




    Os frascos são charmosinhos, como artigos de botica, de vidro escuro. Infelizmente vazou um pouco durante a viagem, embora acondicionados e transportados com todo o cuidado possível, e o rótulo manchou e ficou borrado. Mas nada que tire minha alegria ao desfrutar das minhas fragrâncias escolhidas a dedo. Estou encantada com tudo, extasiada até agora.



    É uma viagem sensorial, que merece ser desfrutada com todos os sentidos alertas, com a mente aberta às experiências diferentes de vida e de história. Foram dias inesquecíveis, que certamente vou guardar com toda reverência. Cuba é uma porção de contrastes, cercada de mitos por todos os lados.

    "Oie!"
    "Oigo!" 




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    Que os soem clarins de prata e que estandartes sejam erguidos. Organize-se um grande banquete, chame-se os menestréis e abra-se a adega. O rei voltou.
    Para a alegria de seus súditos saudosos e de sua rainha apaixonada, ele regressa com sua capa, espada e coroa. Um pouco mudado após o exílio, mas ainda assim sábio, imponente e legítimo. 
    Incensado, como a Basílica de Santa Sofia deve ter sido em seu apogeu. Um mosaico de notas coloridas e complexas, que, em seus caquinhos vão se completando à magnífica obra conjunta, que somente a distância permite apreciar. Permanece Bizâncio, e, ainda que mudem-se nomes e imperadores, que seja Constantinopla ou Istambul, o título de joia do Bósforo permanece. 
    (Imagem oficial, bonitinha) 

    Byzance EDT sabiamente mantém a fidelidade à fórmula original, guardadas as proporções e adaptações mercadológicas que 2017 exige, afinal, de seu lançamento em 1987 são exatas três décadas. O frasco ficou bonito, nobre e prático. A rosa búlgara está lá, escura e densa, quase negra. O cravo elegante e refinado - da mesma linha do cravo de D&G e Écoute Moi. Incenso. Ylang-ylang. Resina. Citrinos. Aldeídos. E tuberosa. Ah, a tuberosa oitentista! Ela ainda está ali, só um pouco mais mansa, mais manhosa. 
    Que os narizes millenials reclamem, que os habituados aos gourmands e florais açucarados curvem-se à esta majestade. Que entendam o poder de uma borrifada em nuvem e dos colarinhos e écharpes perfumadas por dias. Ele voltou. Vossa Majestade está entre nós novamente. 
    Vida longa ao rei Byzance!


    (Foto minha, porque a coceira para comprar foi incontrolável)




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    Ah, que mocinho bonito e barato (eu sou fã da Beth, acho o custo/benefício mais atraente da perfumaria!) em tempos de contenção de despesas. Um clean que não vai enjoar nem querendo, porque é lindo, limpo e ao mesmo tempo criativo - não é aqueles 'muskies' bocós e sem imaginação.
    Quando o calor tá absurdo, naquela soalheira de perder a dignidade, ele cumpre o papel de dar um alívio, uma brisa de limpeza e cuidado sobre a roupa clara de algodão que você meio que se obriga a usar. Não pende para o aroma de sabonete ou sabão em pó, é realmente algo de chá gelado, cheirinho de 'amenities' de hotel chique, sabe como?
    Dá um abracinho reconfortante e especial, coisa calma, elegante. Tem algo levemente verde e amarguinho na saída, mas que dura muito pouco, e ao longo da secagem ganha nuances levemente amadeiradas. 
    Coisa boa, que não pretendo mais ficar sem!



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    Mas se tem coisa boa nesse mundo é cheirinho de rosas. Amo em todas as versões, da empoada antiguinha, à doce quase fruta, mas a melhor das melhores sensações é a da rosa fresca, orvalhada e 'crunchy', a rosa debutante, rosa clarinha. O Esta Flor Rosa da Natura estava no meu pódio até pouco tempo, além da água da Avatim e da English Rose da Mahogany (que me agradava mais o aromatizador de ambientes e o sabonete do que o perfume propriamente dito). Aí pesquisando muito, vi que o English Rose da Yardley London era tido como um dos mais fieis ao estilo da rosa fresca recém cortada. Mais que Chloe EDP e Make me Fever Gold (esse último um dupe nacional da melhor qualidade). Eis que acho o bonito de 125 ml por US$ 14,00 em Ciudad del Este. Com direito a talquinho combinando e tudo. Mas é claro que eu arrematei né? E como fiquei feliz!
    Que cheiro de jardim, dos livros da Jane Austen, de chá das cinco. Um mimo de frasco, de cor e de espírito, uma auto-indulgência baratíssima, felicidade engarrafada. 
    É um floral de corpo e espírito, sem fruta, sem açúcar. Muita seiva, algo verde e cristalino, adstringente, sem qualquer meandro ao caminho da flor. Aquele aroma exato de aproximar o rosto de uma rosa cor-de-rosa ou champagne, clara, ausente de mistérios e com inocência de sobra. Mas engana-se quem acha que é uma fragrância fácil, ela tem um leve ardor, algo amarguinho, que não facilita o trajeto - afinal, rosas têm espinhos - e essas arestas podem ser incômodas para alguns. 
    Para quem gosta de amanheceres etéreos e orvalhados, e não se importa em umedecer a barra do vestido, English Rose é um Eau de Toilette da melhor estirpe, com fixação e projeção excelentes para essa proposta!




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    Em tempos estranhos como esses últimos dias - não sabemos se acompanhamos as notícias ou se fazemos um isolamento voluntário embaixo das cobertas - em que a moeda e o humor oscilam, que a gente precisa de um afaguinho, um Nescau quente e uma pequena dose de autoindulgência para manter a sanidade mental, vem a casa Ted Lapidus, com suas 'bombinhas' que são o maior barato e dão uma alegria inesperada. Tô falando do Orissima EDP, um caramelo querido e quentinho que me surpreendeu positivamente!
    A ideia da marca é transmitir a aura da mulher parisiense, para brilhar como a cidade luz, inspirado nos tons de ouro e na arquitetura urbana da Cidade Luz. Com 15 trumpinhos comprei um de 30ml, e voilá, me senti rica, querida e calorosamente abraçada por uma generosa dose de caramelo, com uma íris macia (alô alô La Vie est Belle!) e patchouli achocolatado. Mas pera aí, tem uma surpresa chypre nesse calor todo, uma aura verde/amarga/frutada, então não dá para afirmar que seja um dupe, longe disso. Tem cara e personalidade próprias. 
    Não evolui como o La Vie, a coisa toda descansa mais rápido e perde as arestas, além de amornar mais almiscarado e menos gourmand. Fica redondinho e manso, sabe como? Tem uma pontinha de casca de laranja fervida e damasco, que me deu um flash do D&G The One, mas isso já nas horas finais. Fixa legal, menos que outras bombas Ted Lapidus (tô falando de Fantasme, Rumba e cia) mas ainda assim com muita dignidade, coisa de umas sete a oito horas. Projeta bem na primeira hora, e depois se comporta como o esperado para um EDP, quente, rente à pele e relativamente linear.
    Frasco bonito, bem feito e planejado com cuidado, borrifador honesto e caixinha resistente. Sem culpa na crise, e muito cheirosa(a)!!! 





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    Ah, a perfumaria nacional! Como a era da informação e as possibilidades de comunicação e compreensão de mercados, públicos e a aquisição de referências locais e internacionais contribuem com a elevação da qualidade dos produtos no mercado interno. A Natura sempre caprichou, em conceito, embalagens e matérias primas. Desde sua fundação, aos áureos anos 1990 - tempos de Shiraz, Revelar, Intuição e toda a troupe - passando pelas novidades atuais. É uma casa respeitável, que entende o público e a pele brasileira, que traz elementos culturais relevantes na hora de elaborar seu portfólio de fragrâncias. 
    A linha Una é capitaneada pelas maquiagens premium voltadas ao público mais exigente - excelentes, diga-se de passagem - e também conta com linha de hidratantes e óleos corporais, acessórios como pinceis e estojos, além das fragrâncias. A primeira foi o Natura Una Deo Parfum (ainda faço uma resenha especial para ela), seguido do Natura Una Intenso e Natura Una Artisan. O lançamento que estará nos catálogos deste mês é o Natura Una Senses Deo Parfum, que provei pessoalmente na loja física. Segue o mesmo padrão caprichado, com embalagem super bem feita, em vidro esverdeado no mesmo formato dos demais. 
    Ao provar, o balanço da fita próximo ao nariz já revela nuances florais de tuberosa e jasmim, além da tangerina - que acompanha todas as demais fragrâncias Una, ora mais doce, ora mais pungente. Sem demora, revela o calor macio e amendoado da fava tonka (cumaru), e opa! Já conheço esse flash de outro lindão... Mas se não é o Hipnotic Poison dando as caras! Não é dupe - já aviso - mas tem um quê desse famoso aí. Tem sim. Embora seu caráter seja mais floral e almiscarado, e o HP da casa Dior tenha mais coco e âmbar licoroso, eles guardam grandes similitudes. 
    Na pele, evoluem em caminhos diferentes - testei os dois juntos, além do Minha Inspiração da Contém 1g - porque também tem essa fama de ser um HP wannabe. O Una Senses ganha mais espirais, mais flores brancas, com um quê narcótico e marcante. Tem essa faceta de mistério e natureza graças ao Patchouli Heart, que o torna terroso, misterioso, úmido... HP fica mais adocicado, cremoso e levemente enfumaçado enquanto o Minha Inspiração vira um licor de amêndoas, tipo amaretto mesmo. Cada um em sua proposta, têm a mesma alma sensual e adocicada, altamente viciante, que torna impossível passar despercebido. 
    Natura Una Senses é uma escolha de qualidade, que tem tudo para ganhar corações. Apenas prestar atenção ao fato de que é um flanker, e, como tal, pode sumir dos catálogos de uma hora para outra. Se você gostar, vale ficar de olho se permanece no portfólio da marca, ou se é conveniente guardar um de reserva. Duração de 7h, com projeção intensa nas primeiras duas, que desce rente à pele depois. 


    * Como ainda não saiu a imagem oficial, ainda não a publiquei. Assim que tiver a imagem de divulgação da marca, faço o update! 

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    Um calor de brasa acesa - esta é a primeira imagem que me vem à mente ao pensar nesta fragrância. É corajosa, é grande e superlativa. Isso porque difere de todas as tendências de mercado nacional, em sua ousadia de combinar poucas notas em uníssono. Oud, íris e madeira - só. 
    Tem algo animálico e enfumaçado, um aroma humano e carnal, sexy mesmo, sem nenhuma pretensão de ser ingênuo ou inocente, é sedução escancarada e puramente boudoir. Essa ousadia precisa de ambiente e ocasião para ser revelada, como a própria proposta da linha S da Eudora. São produtos voltados à arte de seduzir, de usar a dois.
    Abre em oud, forte, impactante - quase masculino. Tem alma resinosa, quente, como vela escorrendo e vapores abafados. A primeira borrifada pode assustar, porque não faz nenhum devaneio ao seu destino, o recado é dado logo de cara. 
    É uma sedução de roupa espalhada pelo chão, aquelas cenas de filme bem exageradas que o casal não consegue esperar e vai loucamente se esparramando pelo caminho, que borra batom, que saltam botões e tudo vira um emaranhado de pele. Não é lingerie preta e pérolas, não tem espera e joguinhos de sedução, não tem lençóis de cetim e meia luz, está mais para um ritual de acasalamento digno de Discovery Channel - só que entre quatro paredes. 
    Tem um patchouli 'sujo' ali, ah se tem. Úmido, terroso, suado e orgânico. Flor viva - ora, o que é a flor se não um receptáculo fértil em sua função reprodutiva? Fumaça, calor, madeira seca e íris talcada. Humano e febril. 
    Talvez a sua ousadia o tenha tirado dos catálogos - corri garantir o meu assim que soube que sairia de linha. Mas quem sabe a Eudora não resolve fazer um revival, hein?
    Fixação excelente graças à sua alma resinosa, projeção intensa nos primeiros momentos que se mantém ao longo de 9 horas ou mais. 

    Touch me like you do!




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    Tenho fases, como a lua. 

    Fases de andar escondida,
    fases de vir para a rua... 

    O acorde chypre. Como é belo, em sua natureza verde e intrigante. Como é bela a lua nova, misterioso sorriso pousado sobre crepúsculo ao lado da Vênus que cintila, um rastro da face à mostra enquanto o todo dá as costas à Terra. Um recolhimento doce, como frutas silvestres, maçãs e mel de madressilva. Vento outonal em sépia, Luna abre em frutas agridoces e citrinos cintilantes. 

    Fases que vão e vêm, 
    no secreto calendário 
    que um astrólogo arbitrário 
    inventou para meu uso.

    Florais, esses são lindos! Lua crescente que cruza os céus da madrugada à manhã. Rosas primaveris, violetas, amores-perfeitos e delicados jasmins. Cachoeiras de pétalas a cair pelos cachos, botões se abrindo nas manhãs de setembro. Beleza espontânea de natureza que se multiplica e se renova. Uma fragrância feminina como as flores primaveris, Luna tem esta face de encanto juvenil e cândido.

    Perdição da vida minha! 
    Tenho fases de ser tua, 
    tenho outras de ser sozinha.

    Lua cheia de verão. Mata fechada exalando mistérios e mormaços. Natureza feminina que instiga e convida ao calor. Absoluta no céu, apaga estrelas e lança sobre os enamorados seu banho de prata. Folhagens e baunilhas tropicais que atordoam sentidos. Coração cálido que bate entre curvas sinuosas do colo que instiga. As notas de corpo são sedutoras e adocicadas, que mantém uma aura verde e natural caudalosa.

    E roda a melancolia 
    seu interminável fuso!
    Não me encontro com ninguém 
    (tenho fases como a lua...)

    Recolhimento e desfecho. Lua minguante fugidia, que esfria ânimos e amores. Musgos e patchouli na noite úmida e fria de inverno que promete geada. Zéfiro que balança os cabelos e carrega o aroma das raízes expostas e galhos despidos dos cedros e plátanos. Luna mantém sua alma de chypre floral moderno até seu drydown, em madeiras e tons musgosos amaciados por gentil almiscarado.

    No dia de alguém ser meu 
    não é dia de eu ser sua...
    E, quando chega esse dia, 
    o outro desapareceu...

    Como o arquétipo feminino da Lua, Luna tem suas fases, ora suaves acordes florais, ora suculento com frutal, passando do terroso/herbáceo ao amadeirado-almiscarado. Uma bela fragrância para mulheres radiantes e confiantes, que seduzem ao abraçar cada uma das suas faces. Mulheres têm fases, e cada uma delas tem sua beleza, sua força e seu mistério. Apenas quem é suficientemente atento está autorizado a desvendá-las. 

    Complicada e perfeitinha, você apareceu.





    Referências: Cecília Meirelles: Lua Adversa
    Raimundos: Mulher de Fases (quem viveu nos anos 90 sabe do que estou falando!)    

    Imagem: natura.net


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    Hoje me dei conta que nunca falei desse lindo, e olha que está no meu top 5! Como assim? Como fui esquecer esse travesseirinho, esse aconchego adocicado? 
    Kenzo Amour é macio, sem nenhuma aresta. Morninho. É um tacho de arroz-doce apurando no fogo de lenha, carinho de vovó que mima. Uma criação tão singular, tão sem par. 
    Tem uma abertura empoada de arroz - isso mesmo, arroz! - chá e algo lactônico e cremoso, que apesar de ter doçura, traz mais uma sensação de cremosidade, de sabor suave e levemente condimentado, como canela fervida ou uma pitada de noz-moscada. 
    No corpo, possui a nobreza de flores brancas, igualmente untuosas, amanteigadas - pluméria, sakura e acácias - e encerra na secagem com nobres madeiras incensadas, baunilha, musc e notas atalcadas, uma nuvem de talco sequinho e empoado. É de uma nobreza, uma distinção... uma das fragrâncias que me desperta as melhores sensações, que não é incômoda, não é invasiva, é um verdadeiro abraço carinhoso, um afago. 
    É um EDP, mas sem grandes arroubos de projeção, já que sua proposta é intimista. Porém, tem uma duração muito longeva, rente à pele e comedida. Um conforto especial, com a criatividade que as fragrâncias Kenzo sempre trazem, não sendo óbvio, mas ao mesmo tempo não gritando por atenção. O frasco belíssimo de autoria de Karim Rashid é uma criação digna de museus de arte contemporânea, que vale a pena ostentar na prateleira. 



    Imagem: kenzoparfums.com

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    Pega a pipoquinha, coloca o pijaminha e vem assistir filme água-com-açúcar comigo! Se tem filminho gostoso, para esquecer perrengues e tristezas, para pensar em uma volta por cima nessa vida de reveses é Sob o Sol da Toscana. Assistir a Frances se reinventar em um cenário esplêndido, de campos floridos e luzes douradas, refresca a alma e deixa o dia mais leve. 
    Hoje testei o lançamento d'O Boticário Floratta L'Amore e imediatamente senti os ares da Toscana, mas o momento mais impactante foi a entrada, o cítrico adocicado de limão siciliano do acorde de Limoncello. No filme, o gatíssimo Marcello (interpretado pelo impecável Raoul Bova - que espetáculo de ator!) dá a receita do tradicional Limoncello em Positano: vodka, limões e açúcar. Essa receitinha fofa aqui:


    Bom, Floratta L'Amore tem um acorde cítrico/adocicado/frutado logo na entrada, um espirro de sumo de limão siciliano que borbulha no nariz, mas com doçura, diferentemente dos tradicionais limões das colônias (Roger Gallet Jean Marie Farina, 4711 e congêneres). Tem um quê crocante e suculento de peras e maçãs-verdes, um caldo de frutas maduras - pêssegos, damascos, tangerinas - e um fizz mais azedinho, simultaneamente. 
    Cresce em flores brancas de jardim, um coração florido de primavera, delicado e mimoso. E ainda persiste uma doçura de mel de pedúnculo, uma sensação adocicada e levemente alcoólica, ao qual provavelmente a marca tentou imprimir sua receita de limoncello. Funciona de maneira breve, em flashes entremeados às flores. Ao final, o musgo amadeirado/musky, tipicamente O Boticário, indefectível entre as criações da marca, que fica um pouco sabonetinho, shampoo ou produto de banho, para dar a cara limpinha e asseada, terminando a fragrância de forma bem suave e linear.



    Projeção: Intensa na primeira hora, porém duração um tanto efêmera. Em mim, durou três horas, e nas duas finais com uma aura floral bem rente à pele. Há que se considerar dois fatores para esta característica: seu perfil cítrico e o fato de ser uma deo colônia. Uma vez que é o lançamento para a primavera que se avizinha, acredito que seja uma proposta adequada para dias de calor. Como o affair de Frances e Marcello - durou exatamente o que havia de durar. 





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    Alô alô amigas do floral e simpatizantes dos acordes amadeirados, venham conhecer essa fragrância que não está no gibi! Uma bela anedota na hora certa, que arranca risadinhas e piscadelas, mas também sabe ser esperta e decidida quando precisa. Cheap and Chic, em sua ironia do DNA Moschino celebra uma ousadia jovem e bem posicionada, de cores vibrantes e escuras, um contraste entre o tom de moça coquete e tom femme fatale. Tudo isso construído em sólidas bases de madeira nobre, almíscar e uma pontinha de tabaco... hummmm!
    Tem abertura floral picante, peônias em profusão, cítricos azedinhos e algo meio tinto, como sumo ou seiva de madeira ainda viva. Um desaforo às narinas na primeira borrifada - saído de um frasco para lá de inusitado que já virou metonímia: quem nunca ouviu falar do perfume "Olívia Palito"?
    Com o tempo, ganha mais substância com rosas misteriosas, adultas e assabonetadas, como aroma de produtos de beleza um pouco vintage, talco ou maquilagem, além de flores brancas narcóticas. Cresce em uma dimensão mais horizontal, que vai perdendo em projeção e ganhando em mistério, ficando cada vez mais facetado e mais rente à pele.
    As notas finais sugerem um interessante mix de ambargris, almíscar e fava tonka em sua carinha mais 'suja', escurecida e enfumaçada, o que pode dar alguns traços de tabaco de cachimbo, com seu quê adocicado, com camadas de alguma flor misteriosa e noturna - seria rosa negra? Orquídeas phalaenopsis? Cravo vermelho? É justamente neste mistério que está o encanto de Cheap and Chic, a ironia de ser simples e grandioso.
    Um curinga de prateleira, para quem quer uma proposta sexy, jovem e que transmita elegância e atitude. Fixação excelente e projeção moderada, que valem o investimento.
    Popeye, faça alguma coisa!!!



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    Honey honey, how you thrill me, ah, honey honey


    A música é do ABBA. Sim, do ABBA, me julgue! Relutei em usar essa referência do cafona-kitsch, mas eu confesso que curtir ABBA é um dos meus guilty pleasures - quem nunca? Então, ao invés de me render ao apelo marketeiro da Eudora, em querer empurrar o Prélude S como uma fragrância sensual, eu vou mais para essa coisa divertida da musiquinha 70's que fala de conquista, de beijinhos e de docinhos do que qualquer coisa voltada às lingeries e lençóis de cetim. Porque é, oras!

    A marca o classifica como "Oriental Gourmand", com notas lactônicas, mel e amadeirado/musk. É isso? É. Mas não é. Complicado hein...

    Na primeira borrifada - boom! Mel, puro mel, vítreo, viscoso, doce. Lembra das balinhas Kid's de mel? Tá aí.



    Lembra dessa balinha malandra? A Eudora engarrafou no Prélude S.


    Bala de mel. Transparente e cristalino. Não tem cremosidade de leite, adição de especiarias. É mel. Pelo menos para mim. É extremamente linear, começa e termina em mel, daqueles dos mini-pacotinhos que se juntavam em fitas - isso também deve ser lá dos tempos do ABBA!

     

    É sexy? Sim, daquela maneira mais sapeca, que é docinho, mexe com o paladar. Fora daquele sexy arrasa-quarteirão. É super feminino, e, por mais que tenha corpo e alma gourmand, é extremamente confortável. Talvez até mesmo por ser linear, sem surpresas. O mel de favo, sem aquela coisa meio balsâmica de própolis, resina, xarope... que não é tão fácil de agradar.

    Faz a linha Pink Sugar, de ser uma expressão gustativa em forma de perfume, esperto na sua simplicidade e alegria. Combina com climas amenos, mas não chega a desandar no calor, só tem que dosar as borrifadas.

    Fixa muito bem - para deocolônia então, nem se fala - coisa de oito horas mesmo! Projeta nas primeiras duas, três horas, mas depois repousa como uma aura doce perfumada.



    Honey honey, hold me baby, ah, honey honey!






    Imagem: loja.eudora.com.br


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    Um trintão cheio de pose e respeito. Criação Cacharel que se preza, ame ou odeie, no mesmo caminho difícil de Eden. A sobreposição de camadas e mais camadas, um contraste entre notas brilhantes e estridentes e acordes escuros e misteriosos. Uma ode aos anos loucos e ao excesso. 
    LouLou é de 1987, então tava no contexto da ombreira, do dourado e do visual carregado de informação. A proposta inicial seria uma homenagem à Louise Brooks, musa do cinema mudo que na vida real soltava o verbo e incomodava geral. Artista de alma, sem amarras e resistente aos estereótipos, sua morte ocorreu apenas dois anos antes do lançamento de LouLou - seria esta uma homenagem póstuma de Cacharel?
    O que passa é: sim, LouLou é uma homenagem, é um perfumão. Um gosto de se dosar às borrifadas. 
    Abre em flores grandes, potentes, violeta com cara de maquiagem e algo meio plástico, sintético - a famosa nota de "boneca nova" que muita gente tenta definir. Sua face seguinte conta com muita tuberosa, dama da noite, floral intoxicante e profuso, espiralado. Ao descer, lá pela terceira ou quarta hora - sim, estamos falando de horas! - ganha cremosidade e doçura balsâmica de heliotrópio e adocicado ylang-ylang, sexy, muito sexy. Da quinta hora em diante ganha contornos incensados e picantes, de canela em casca e sândalo - aquele sândalo das bolinhas aromatizadoras que eram vendidas antigamente. A partir daí ganha linearidade, mas ainda assim permanece em uma sinfonia de flores, vapores e tons intrigantes sintéticos "sabe-se lá o quê". 
    É perfume de passar só na nuca ou nas costas, ou a famosa borrifada em nuvem. Não sou da patrulha do clima, use o que quiser quando quiser, mas no calor é capaz até que a própria pessoa não o aguente até o fim do dia. É meio malicioso, leva tempo a se acostumar, tem uma manha de Daisy Fay - a complicada paixão de Jay Gatsby. 
    Quem usa (ou conhece alguém que usa) LouLou sabe que é perfume-assinatura, aquele que deixa tudo que a pessoa toca com um pouquinho do seu rastro. É uma obra de arte (déco?) em um pequenino frasco azul-turquesa e vermelho, que projeta e fixa como poucos. 




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    Há quem diga que nada é por acaso. Ultimamente tenho estudado muito sobre Art Déco, em razão de uma pós deliciosa em História da Arte. Se no post anterior falei dos excessos melindrosos de LouLou, agora vou falar de outra bela criação que honra os loucos anos 1920's, mas com mais Garbo (como adjetivo e substantivo). Bronze é reluzente, caloroso e festivo. Já abre em notas alcoólicas de rum, meio licoroso e doce, com toque bitter de bergamota e néroli. A borrifada em nuvem - elogios agora ao frasco e ao borrifador de efeito 'panache' - prenuncia muita festa, calor e dança. Como bom oriental, encontra contornos sensuais e adocicados em heliotrópio, calores de sândalo e um toque resinoso de guáiaco, enfumaçado e misterioso, feminino. Como um espetáculo teatral, cheio de personagens, figurinos, coreografias, Bronze se revela em um caminho complexo, com temas sobrepostos, mas cheios de harmonia e sentido. As notas de fundo dão o gran-finale gourmand: baunilha, fava-tonka, amêndoas e âmbar, quentes e convidativos, em um doce adulto longe dos bolinhos e confeitos. É uma criação nacional digna de aplausos, e a proposta da Phebo é mais que acertada.
    Duração de 7 horas, denominado pela marca como Perfume, em uma bela apresentação de caixa e frasco de 100 ml. 





    * Comprando um perfume nas lojas Phebo do Shopping Patio Batel (Curitiba) ou do Shopping Leblon (RJ), é possível personalizar o frasco com seu nome. Meu Bronze ficou um mimo, não?



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    Um baile de saias rodadas, coques esculturais, ponche geladinho e moços de smoking. Uma elegância romântica, coquete e comedida, mas deliciosamente agradável. Que troca convites para o chá das cinco, que organiza saraus e convescotes. Foi um espírito assim que encontrei no Love Lily. Um mimoso frasco rosa, com novo borrifador (o do primeiro Lily Essence gerou muita controvérsia e reclamação), e uma proposta delicada e floral. Parece que está havendo um "revival floral", não é mesmo?
    A primeira borrifada prenuncia um caráter realmente floral com toques frutais delicados, de cítricos cristalinos e algo levemente adocicado, como nêspera. A seguir, uma névoa de pétalas, etéreas, com lírio, jasmim e muita rosa, em tintura, próxima à sensação fervilhante que as frutas vermelhas proporcionam, uma textura como aquele drink piscine, com espumante rosé. Mas logo vai ganhando densidade, e as pétalas ganham maior cremosidade, perdendo a cara de floral fresco para uma face mais resinosa, com sândalo e âmbar - muito suaves - e aquele indefectível musk d'O Boticário.
    Boa aposta? Sim, mas não sei se é um floral totalmente inovador. Também tem um certo percurso na evolução que merece teste prévio, para que não haja arrependimento posterior. Se você é adepta(o) de florais românticos, é um lançamento nacional bastante fiel a essa proposta. 
    Classificado como Eau de Parfum, em um dia extremamente quente e abafado durou cinco horas, com projeção intensa na primeira hora e meia.



    Imagem feita por mim, ainda na loja (valeu Maiara!!!). Ainda posto a do meu, ok? Dêem um desconto para professora em fim de semestre ;) 

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    Como a receita para fabricar meninas, Lolita Lempicka é um mimo! Junta açúcar, temperos e tudo que há de bom, numa sintonia maravilhosa, em que nada some ou aparece demais. Já vi pessoas definindo a poção da maçãzinha como "cheiro de Natal", "cheiro de fadinha" ou "cheiro de confeitaria". E pode ter todas essas leituras, basta perceber a qual nota está dando mais atenção.
    É cheiro de Natal que passa pela sua cabeça? Talvez seja o alcaçuz, anis, cereja e pralinê? Aquela festa colorida de guloseimas, pinheiro, presentes e corre-corre, para muita gente tem um cheiro específico, feliz, que evoca memórias.
    Se você é da turma do "reino encantado" de fadinhas, unicórnios e duendes, as notas florais tem um quê de jardim dos Sonhos de Uma Noite de Verão: violetas macias e empoadas de pirlimpimpim, heras folhosas, raízes sequinhas e flores de brejo, levinhas e etéreas.
    Agora, se o delicioso mundo dos macarons e bolinhos te conquistou, deve ser a baunilha adocicada ou a fava tonka amendoada, um pouco enfumaçada, como receita no forno. Aquele aroma morninho vindo de uma cozinha... hummmm!
    Acho uma das fragrâncias doces mais criativas e interessantes, não é aquele doce óbvio. Tem maciez, tem uma aura atalcada e caprichada, tem especiarias e acordes inusitados, fora do açúcar/caramelo puro. Um frasco primoroso e mais de vinte anos de sucesso.
    Se você quer um abracinho doce e meigo, com cara de conto de fadas, duração prolongada e projeção comedida, apanhe esta maçã!




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    Com a proposta de adicionar a perfumaria premium à marca, bem como celebrar a história d'O Boticário, foram lançadas recentemente as Eaux de Parfum Peônia e Apricot, Violeta e Sândalo  e Jasmim e Patchouli, com a denominação "Botica 214" - uma referência ao primeiro endereço da marca, em Curitiba, na década de 1970. Os frascos e caixas são primorosos, a apresentação impecável, e, no teste, cada uma das fragrâncias tem bastante distinção entre si. 

    O primeiro que provei foi o "Peônia e Apricot". Abriu mais frutal que floral, frutas doces: pêssegos, damascos e ameixas maduros, com algo borbulhante e pétalas cristalinas. Passa para uma impressão melíflua e termina almiscarado, com toques assabonetados, mas mantém a alma frutada. Achei alguma semelhança com o Untold, da Elizabeth Arden.

    "Violeta e Sândalo" surpreendentemente teve uma abertura bem pungente, o couro se sobressaiu logo de cara, algo meio químico. Foi descendo cada vez mais empoado, uma violeta meio talcada, e o sândalo ficou bem para o final, um pouco cremoso. Inicia um tanto estridente, mas vai ganhando maciez durante a evolução. 

    Por fim, "Jasmim e Patchouli"é o mais floral de todos, muita flor mesmo, pétalas brancas e flores do charco, meio úmido e verde de início. Seu patchouli não é terroso ou achocolatado, é mais cremoso, com um toque de seiva, e ao final tem um amadeirado bem sutil. 




    Sobre ser EDP: por não contar com cítricos, a projeção já se inicia baixa, comedida. A duração é bem rente à pele, e tem um caminho na evolução de cada um. Quem espera 'bombas' ao estilo de perfumes importados, não é esse o estilo. São Eaux de Parfum mais para o estilo Infusion d'Iris da Prada, Noa da Cacharel - nessa vibe. São bons sim, têm qualidade, apenas não são minha ideia de investimento na atualidade. Outro fator que pode ser decisivo: como são fáceis de agradar, podem ser uma linha boa para presentear. Apenas o "Violeta e Sândalo" tem facetas mais difíceis, que talvez seja mais melindroso para oferecer a alguém. 

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    Se perfumar no calor do verão brasileiro não é fácil. Primeiramente, porque o suor atrapalha tudo! Tem vezes que saímos do banho e não sabemos se estamos enxugando a água ou se já estamos suando novamente. Há quem prefira sair do banho com uma sensação geladinha. Há quem seja entusiasta dos atalcados powdery, para ter uma sensação sequinha (meu time!). E há quem use doces, pesados, gourmands, orientais e afins, sem se incomodar com o calor. O importante é ficar cheiroso(a). 
    Fiz uma seleção dos meus limpinhos favoritos, alguns já resenhados, outros por resenhar. Em todos eles encontro uma confortável impressão de leveza, uma secura de talco que segura a transpiração, que tira o 'grude' todo, tão desagradável no tempo abafado. Não desandam no suor, não incomodam olfatos alheios e rendem muitos elogios. 



    O Accordes Harmonia é um floral aldeídico maravilhoso, há quem diga que nem parece d'O Boticário, pois tem outra alma, algo fora da assinatura olfativa da marca. É limpo, cheiro de roupa lavada e engomada na lavanderia, cheio de compostura, e segura super bem em dias quentes. Fixa e projeta super bem, e tem um preço bem condizente com a realidade. Só o frasco que merecia um capricho maior... está meio datado, continua com uma carinha meio anos 90. Mas nada que desmereça sua qualidade e talento!

    Glow by J.Lo é um clássico dos almiscarados, bem na vibe sabão/sabonete. É meio ame ou odeie, porque muitas pessoas o consideram ardido ou químico demais à primeira impressão. A evolução dele é ótima, porque mantém a limpeza, o aconchego fresh de roupa no varal. E não custa caro - raramente os celebs pegam pesado nas cifras, e tem para vender em todos os e-commerces!

    Para conhecer as resenhas do Cacharel Noa, Mahogany Lavanda e Algodão, White Tea Elizabeth Arden, Prada Infusion D'Iris e Close GAP, só clicar nos links! 

    Um grande beijo e aproveite muito o verão!




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  • 01/13/19--17:36: Repaginando!
  • Ano novo, vida nova - quer clichê maior que esse? Mas é o clima do Parfumée!


    2019 veio cheio de novidades:
    - Identidade visual do blog renovada;
    - Coluna mensal sobre perfumaria na Diva Mag (www.divamag.com.br)
    - Finalmente um Instagram do blog para seguir (@parfumee.br), com fotos de minha autoria e algumas do talentosíssimo Nathan Anderson (@nathananderson), feitas com o maior carinho e capricho;
    - Mais cursos e aprendizado no eixo sul (Foz e fronteira trinacional), centro-oeste (Campo Grande e Nova Andradina), além das idas mensais para SP para muito estudo.






    Isso tudo sem largar o giz, porque a sala de aula ainda é meu palco e eu amo meus ursos de paixão. 

    2018 foi um ano puxado, com muita adaptação, aprendizado e desafios. Teve uma pós em História da Arte feita com uma alegria sem igual, teve trabalho, viagem o tempo todo... Mas os perfumes ganharam uma nova atenção depois do curso da Perfumaria Paralela, e acho que a paixão toda renasceu. Providenciei identidade visual nova, alinhavei alguns projetos, e esse meu hobby está ganhando cada vez mais espaço em minha e vida e meu coração.

    Adicione no insta, comente no blog, peça sua resenha, dê seus pitacos por aqui. Volta e meia teremos alguns posts sobre as fronteiras perfumadas - pretendo adicionar as do MS também - e as curiosidades da perfumaria, mais além das simples resenhas e descrições. Vamos aprender juntos e trocar muitas novidades desse universo maravilhoso. 

    Um abraço perfumado!

    P.




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    Escrevo em um dia que faz 38 graus à sombra. Nuvens espessas se formam no céu, mas não chove. O dia amanhece límpido, com o céu puro anil. Por volta do meio dia começam a se formar as nuvens, evaporando toda e qualquer água que encontram. O sol é implacável e em questão de segundos cresta a pele, o suor escorre... A vontade é tomar banho, muitos banhos. De mar, piscina, chuveiro, bacia, mangueira – o que for! Nessa hora só os cítricos salvam, não tem como pensar em frescor sem lembrar de uma bebida gelada à base de limão. Pensando nesse clima, montei o post de hoje, com sugestões refrescantes para se perfumar:

    O primeiro escolhido foi o Eau des Minimes, da Le Couvent des Minimes. O arquétipo do cítrico com muito pomelo, lima, limão siciliano e ervas como artemísia, alecrim e cidró, finalizado por flor de laranjeira. O floral de fundo é meio empoadinho, meio violeta. Super compartilhável, com uma alma verdejante e feliz, combina com roupa de algodão e mesinha de bar!

    Em seguida um nacional democrático, com uma linha completa para quem quer incrementar o banho – desde sabonete até o creme. Limão Siciliano da Perfumaria Phebo já virou queridinho de muita gente, até porque tem um toquezinho das fragrâncias infantis que tanto amamos quando pequenos. Novamente, cítricos cristalinos com ervas refrescantes – olha a artemísia e o alecrim aí de novo! Ele conta com uma alma de jardim, como jasmim de trepadeira, bergamota, e, claro – limão siciliano! Para finalizar, uma pimentinha esperta, almíscar fofinho e patchouli, porque bom brazuca ama um banho-de-cheiro!

    Eu já falei brevemente do Burberry Weekend aqui. Esse é mais ladylike, mais floral, mais ainda assim tem cítrico gostoso e ervas frescas - tangerina e sálvia – flor de pessegueiro, jacinto e uma base musk bem confortável, para manter fresca e bem composta até o fim do dia!

    E, por fim, o Dolce & Gabbana Light Blue, que dispensa maiores apresentações. Mas, se quiser conferir minhas impressões sobre ele, é só pegar aqui.